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Incentivos criativos no universo de DRIES VAN NOTEN

  • Foto do escritor: Beth Venzon
    Beth Venzon
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

A notícia da abertura da Fundação Dries Van Noten em Veneza, publicada há poucos meses, despertou em mim entusiasmo e curiosidade para entender o que seria desenvolvido e como tudo aconteceria por lá. O projeto Dell Anno a Milano deste ano me levou à Itália exatamente na semana que este espaço foi aberto ao público. E essa feliz coincidência me oportunizou, como um presente maravilhoso, poder ver de perto o local e a exposição anunciada. 



Sempre amei as criações deste belga que encantou o mundo desde os anos de 1980. Ele, que seguiu sua própria lógica de mercado respeitando a essência de sua marca, construiu uma identidade com códigos definidos e únicos que exalam performance de narrativa e beleza de criações ao longo de 04 décadas.


E falando em essência, é importante lembrar a força de seu cromatismo construído a partir de seu olhar, do seu entorno, das suas paixões, e que o tornou reconhecido pelas novas cores e novas combinações, surpreendendo e inovando. A composição de cores se estendeu para as estampas e mix de texturas e matérias primas, elevando ainda mais tons, entre superfícies, brilho e opacidade. A base da alfaiataria clássica e as novas construções, novas camadas propostas que instigam o olhar e se tornam atemporais, próprio de quem ama desafios e a proposta do novo. Bordados com a beleza de brilhos e mix de elementos entre oriente e ocidente, a beleza artesanal sempre foi seu foco e seu valor.


O valor do feito à mão está presente em sua trajetória como raiz que se estende por todo seu universo criativo e seus colaboradores, assim como a arte presente em sua vida e cotidiano, sem esquecer a natureza que emoldura sua vida, sua casa, seu entorno e dela extrai elementos de suas composições. Dries é Dries, inspiração que vale muito estudar e observar. Autenticidade que eleva conceitos e desenvolve seu próprio vocabulário. 


Entender a sua marca é compreender seu novo projeto com a Fundação, que abre com uma exposição e seguirá com outras iniciativas impulsionando a criatividade e os novos talentos.

Vou falar da exposição que agora é foco e fiquei fascinada entres os espaços do palácio. É de um encanto e espetáculo para viver. Mas vamos a um pouco do que vi por lá!



Não esperem encontrar suas criações, mas sim, a sua essência.



O título provoca: O Único Protesto Verdadeiro é Beleza.

A beleza como catalisador de provocação e transformação.



O artesanato como veículo de emoções. Mais de 200 objetos entre moda, joalheria, vidro e fotografia, revelam a dimensão humana do criar e se espalham pelos espaços que sinceramente nos convidam a permanecer muito tempo por lá e ver várias vezes toda a narrativa desenhada entre as peças. Uma curadoria impecável, instigante e muito importante.



O Palazzo Pisani Moretta, local da Fundação, adquirido por Dries Van Noten, é uma referência da arquitetura gótica veneziana. Passou por muitas intervenções, mas teve um período considerado dourado no início do século 17 e uma transformação audaciosa interna no estilo Rococó no século 18. Entre os grandes mestres artistas que ali estiveram, Giambattista Tiepolo pintou tetos com afrescos deslumbrantes  que capturam nosso olhar e dialogam com a arquitetura e as obras da exposição.



Contrastes vibrantes e intensos que convidam a descobrir cada conexão, com a curiosidade para compreender os diálogos entre formas e histórias, designers e artistas, fazeres e expressões e como tudo foi composto. Impecável!



Aqui a beleza não é um ideal estático e preso no tempo, mas presença que interroga, provoca e questiona. Um processo onde a percepção é aguçada  e o saber fazer se revela como um ato radical de encontro.


Ao entrar nos deparamos com fotografias gigantescas, criações de Rei Kauawkubo (Comme des Graçons) e Chritian Lacroix de diferentes coleções. As cores, os tecidos, as formas, os bordados, a arte, os designs de expressão através do vidro, da madeira, das pedras. Joias preciosas em seus temas curiosos e inúmeros projetos que mesclam o ideias de beleza consagrados e os novos olhares que devemos desenvolver para a beleza no contemporâneo. Cito um exemplo de um dos espaços.



Linguagem das flores, um diálogo entre o efêmero e o eterno se revelam através da lente da natureza. Visões criativas se encontram. Christian Lacroix, Comme des Garçons, retrato de Steven Shearer. Na terra, flores de vidro de Lilla Tabasso redefinem o conceito de delicadeza. Que dialogam com os totens icônicos de Ettore Sottsass, projetados nos anos 80 e 90. Geometrias audaciosas em contraponto, precisão minuciosa de Tabasso e as tramas fluidas e florais da Couture.



Cada sala um tema, para cada tema abrem-se novos diálogos, onde certezas não cabem, mas novos olhares para o que significa beleza, sim! 



Um lindo caminho desenhado por um mestre da moda que segue firme em suas ideias e ideais. Obrigada Dries. Esta iniciativa está sendo maravilhosa.



Beijos, Beth.





 
 
 

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Moda, inspiração e arte traduzidas em informações de valor para o mercado, com curadoria de Beth Venzon.

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